Sífilis

De Enciclopédia Médica Moraes Amato
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Sin. lues.
Eti. Treponema pallidum.
Notificação compulsória.
Doença sexualmente transmissível, causada por Infecção com o Treponema pallidum, que penetra pela Mucosa ou Pele e atinge os vasos, causando endarterites. Precocemente ele vai para o Sistema nervoso central, atinge as Meninges e vasos. A Lesão do Córtex cerebral leva à Paralisia geral ou, quando lesa o Corno Posterior da medula espinhal, Causa a tabes dorsalis.
A Transmissão pode se fazer pelo ato sexual, da mãe para o feto, e por transfusão de Sangue de doador contaminado. O Ciclo de evolução se dá por três fases: a primeira delas - Sífilis primária - aparece de uma a quatro semanas após o coito suspeito, como Úlcera de bordas duras e por isso chamada de Cancro duro e que desaparece espontaneamente. A segunda fase chamada - Sífilis secundária - é caracterizada pelo aparecimento na Pele do Tronco e das regiões inguinais de manchas circulares vermelhas e que, após um ou dois meses, também desaparecem espontaneamente. A terceira fase chamada - Sífilis terciária - pode ocorrer até vinte anos mais tarde, é caracterizada por lesões graves do Cérebro ou Raiz da Aorta e denominada Goma sifilítica pelo seu aspecto de mucilagem e Aneurisma sifilítico. A Sífilis terciária, também chamada tardia, pode ser dividida em: a) Sífilis terciária benigna, que aparece em até dez anos, cuja Lesão típica é a goma, que evolui para a Necrose e Fibrose; costuma ser localizada, mas, às vezes, aparece de maneira difusa atingindo Órgãos ou tecidos. Após a Cura restam cicatrizes localizadas na Pele ou Mucosa da faringe, Septo nasal e Palato. Pode ocorrer em qualquer lugar do Corpo; b) Sífilis cardiovascular causadora do Aneurisma da aorta, de lesões valvulares, predominantemente na Válvula aórtica, e de Estenose do Óstio da Artéria coronária; e c) neurossífilis: esta pode envolver qualquer Seguimento do Sistema nervoso e o exame do líquido céfalo raquidiano é utilizado no Diagnóstico.
Como em quase todas as doenças e, particularmente nas transmissíveis, além do tratamento, o médico deve fazer acompanhamento rigoroso e esclarecer detalhadamente o Paciente.
___ congênita, (ref. Guia de Vigilância Epidemiológica) A Sífilis Congênita tem como Agente etiológico o Treponema pallidum que, estando presente na corrente sangüínea da gestante, atravessa a barreira placentária e penetra na corrente sangüínea do Feto.
A Infecção do Feto está na Dependência do Estado da Doença na Gestante: quanto mais recente a Infecção materna, mais treponemas estarão circulantes e, portanto, mais severo será o Comprometimento fetal. Inversamente, a formação progressiva de anticorpos pela mãe atenuará a Infecção no Feto; assim, mães soropositivas para Sífilis podem dar à luz crianças saudáveis.
A Infecção materna nos últimos meses de Gestação dependendo da carga de treponema recebida e de sua virulência, poderá determinar uma evolução fulminante, se o Diagnóstico não for feito rapidamente. O Risco de acometimento fetal varia de 70% a 100%, dependendo da fase da Infecção na Gestante e do trimestre da Gestação.
Apesar da Sífilis congênita ser Doença de Notificação compulsória no país, não se conhece a sua exata magnitude, devido à subnotificação.
Estudos de Prevalência de soropositividade ao VDRL em gestantes, realizados no país entre 1987 e 1992, mostram uma Variação entre 2.3 e 11,5%.
A Taxa de Mortalidade por Sífilis Congênita, no Brasil, variou de 70 a 100 por 1 milhão de nascidos vivos, no Período de 1979 a 1990, estimando-se em 40% a Taxa de Mortalidade fetal e perinatal.
A Sífilis congênita, segundo sua Forma de apresentação e o estágio presumido de evolução, é classificada em duas formas clínicas, que exigem condutas terapêuticas e de acompanhamento particularizadas.
É considerada Sífilis Congênita Precoce todo Caso diagnosticado em crianças com menos de 2 anos e, Sífilis Tardia todo Caso em crianças com 2 anos ou mais, uma vez descartada a possibilidade de Sífilis adquirida.
Sífilis Congênita Precoce: os sinais precoces mais característicos são Rinite sanguinolenta e persistente, o condiloma plano, osteocondrite e as dermatites. Podem Auxiliar no Diagnóstico: a hepato-esplenomegalia, o baixo peso, Alterações respiratórias, a prematuridade, a imobilidade (pseudoparalisia) e o choro ao manuseio (determinados pela osteocondrite). Na prática clínica, muitas vezes, o quadro clínico é oligo ou assintomático, o que reforça a necessidade de que os profissionais de Saúde realizem a triagem sorológica, como recomendado no item Sorologia não Treponêmica. As manifestações de Sífilis Congênita precoce mais freqüentes, em ordem decrescente, são: 'Achados Clínicos: Hepatomegalia; Anormalidades ósseas; Peso ao nascer menor que 2.500 g; Lesões cutâneas; Pneumonia; Hiperbilirrubinemia; Esplenomegalia; Anemia severa, Hidropisia, Edema; Coriza, Obstrução nasal; Paralisia dos membros (Pseudoparalisia de Parrot); Pancreatite; Anormalidades do Sistema Nervoso Central; Nefrite; Falta de Crescimento - Fonte: (Miura, 1989, Apud Paulo Naud)
Sífilis Congênita Tardia: os sinais tardios mais sugestivos são: a Tíbia em lâmina de sabre, a Fronte olímpica, o nariz em sela e os Dentes incisivos medianos superiores deformados (dentes de Hutchinson). São auxiliares os seguintes sinais: Ceratite intersticial, a surdez neurológica e a Dificuldade no aprendizado. As manifestações de Sífilis Congênita tardia mais freqüentes, em ordem decrescente, são: '
Achados Clínicos - Bossa Frontal de Parrot (fronte olímpica); Mandíbula curva; Arco Palatino elevado; Tríade de Hutchinson (dentes de Hutchinson, Ceratite intersticial, Lesão do VIII nervo); Nariz em sela; Molares em amora; Tíbia em sabre - Fonte: (Miura, 1989, Apud Paulo Naud).
Notificação compulsória (Fundação Nacional de Saúde).
(ref. CID10) Sífilis (adquirida) sem outra especificação, (A53.9)
Sífilis anal primária, (A51.1)
Arterite cerebral na sífilis, (I68.1 e A52.0)
Artropatia pós-infecciosa na sífilis, (M03.1 e A50.5)
Sífilis cardiovascular, (A52.0 e I98.0)
Sífilis cardiovascular congênita tardia, (A50.5 e I98.0)
Sífilis cardiovascular sem outra especificação, (A52.0 e I98.0)
Ceratite e Ceratoconjuntivite (intersticial) na sífilis, (H19.2 e A50.3)
Sífilis congênita, (A50)
Encefalite, Mielite ou Encefalomielite que ocorre em Sífilis congênita, (G05.0 e A50.4)
Meningite que ocorre em Sífilis congênita, (G01 e A50.4)
Sífilis congênita não especificada, (A50.9)
Sífilis congênita precoce cutânea, (A50.0)
Sífilis congênita precoce cutâneo-mucosa, (A50.0)
congênita precoce, Forma latente, (A50.1) Sífilis congênita sem manifestações clínicas, com reação sorológica positiva e reação negativa no Líquor menos de dois anos após o Nascimento.
Sífilis congênita precoce não especificada, (A50.2)
congênita precoce sintomática, (A50.0) Toda manifestação de uma Sífilis congênita especificada como precoce, ou evidente até menos de dois anos após o Nascimento.
Sífilis congênita precoce visceral, (A50.0)
Sífilis congênita sem outra especificação dois anos ou mais após o nascimento, (A50.7)
Sífilis congênita sem outra especificação, menos de dois anos após o nascimento, (A50.2)
congênita tardia latente, (A50.6) Sífilis congênita sem manifestações clínicas, com reação sorológica positiva e reação negativa no Líquor dois anos ou mais após o Nascimento.
Sífilis congênita tardia não especificada, (A50.7)
Doença glomerular na sífilis, (A52.7 e N08.0)
Sífilis endêmica, (A65)
Encefalite, Mielite ou Encefalomielite que ocorre em sífilis, (G05.0)
Sífilis (estádio não especificado) de fígado, (A52.7 e K77.0)
Sífilis (estádio não especificado) de músculo, (A52.7 e M63.0)
Sífilis (estádio não especificado) de osso, (A52.7 e M90.2)
Sífilis (estádio não especificado) de pulmão, (A52.7 e J99.8)
Sífilis (estádio não especificado) de sinóvia, (A52.7 e M68.0)
Exame sorológico Falso positivo para sífilis, (R76.2)
Sífilis genital primária, (A51.0)
Sífilis latente, não especificada se recente ou tardia, (A53.0)
Sífilis latente sem outra especificação, (A53.0)
Miosite na sífilis, (M63.0, A51.4, A52.7)
Sífilis não especificada, (A53.9)
Sífilis não-venérea, (A65)
Neurite acústica na sífilis, (H94.0 e A52.1)
Sífilis pélvica feminina, (N74.2, A51.4 e A52.7)
Portador de sífilis, (Z22.4)
Sífilis precoce, (A51)
precoce latente, (A51.5) Sífilis (adquirida) sem manifestações clínicas, com reação sorológica positiva e reação negativa no líquor, menos de dois anos após a Infecção.
Sífilis precoce não especificada, (A51.9)
Sífilis primária de outras localizações, (A51.2)
Sífilis secundária da Pele e das mucosas, (A51.3)
Sífilis secundária, meningite que ocorre em, (G01 e A51.4)
Sinovite e tenosinovite na sífilis, (M68.0 e A52.7)
Sorologia positiva para sífilis, (A53.0)
Sífilis tardia, (A52)
Atrofia óptica na Sífilis tardia, (H48.0 e A52.1)
Encefalite, Mielite ou Encefalomielite que ocorre em Sífilis tardia, (G05.0 e A52.1)
Sífilis (tardia) do Sistema nervoso Central sem outra especificação, (A52.3)
tardia latente, (A52.8) Sífilis (adquirida), sem manifestações clínicas, com reação sorológica positiva e reação negativa no líquor, dois anos ou mais após a Infecção.
Sífilis tardia não especificada, (A52.9)
Neurite retrobulbar em Sífilis tardia, (H48.1 e A52.1)
Polineuropatia que ocorre em Sífilis tardia, (G63.0 e A52.1)
Sífilis tardia renal, (N29.0 e A52.7)
Transtornos glomerulares por sífilis, (N08.0 e A52.7)
Transtornos respiratórios na sífilis, (J99.8 e A52.7). Ver: Cancro duro, Goma sifilítica, Aneurisma

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